CLARO QUE NÃO.
Podemos fingir. Mas não dá para fingir o tempo todo.
Estamos longe dos regimes autoritários filhotes do Chavismo que se espalhou, tal como praga, pelo nosso sofrido continente. Mas esta distância diminui dia após dia.
Sou um democrata (do tipo raça pura), sou um liberal (não neoliberal, mas liberal mesmo). Sou filhote de François Quesnay e de Adam Smith. Acredito no Estado mínimo, eficiente e fiscalizador. Acredito de fato no mercado que se regula e, para terminar esta confissão, sou igualmente um liberal político que nos remete ao início deste parágrafo, sou um democrata.
Hoje em dia, confissões como esta podem soar até perigosas, motivo pelo qual acredito mesmo que não estamos vivendo sob um regime democrático.
Nas verdadeiras democracias alguns elementos básicos têm que ser facilmente encontrados. Façamos um check-list da política Brasileira atual:
1) O partido que está no poder tem um plano de perpetuação nele? SE A RESPOSTA FOR SIM, MARQUE UM PONTO.
2) O partido que está no poder aparelhou o Estado para assim ter tentáculos maiores que ele próprio? SIM? MARQUE UM PONTO.
3) O partido que está no poder tem diálogo com uma oposição real e negocia com esta os pontos básicos das políticas de Estado? NÃO? MARQUE UM PONTO.
4) O partido que está no poder teve necessidade de agrupar em seu entorno partidos de todos os matizes ideológicos, negociando cargos, verbas e o escambau para se manter no poder e levar adiante o seu plano de perpetuação? SIM? MARQUE UM PONTO.
5) O partido que está no poder usa as políticas públicas como instrumento de alavancagem de si mesmo? SIM? MARQUE UM PONTO.
6) O partido que está no poder fabricou um "ícone", um "pai da patria", um tipo de "eterno Presidente"? SIM? MARQUE CINCO PONTOS.
Minha conta fechou em 10 pontos! Não vivemos em uma democracia.
Eu prefiro Chaves ao PT. Sério. Mas me explico. Ambos são anti-democráticos, ambos utilizam-se dos próprios fundamentos da democracia para para agir ao arrepio dela, ambos aparelham o Estado e aniquilam a oposição. Mas Chaves, pelo menos, age de forma explicita e incontestável. O PT age de forma silenciosa, lenta, dissimulada. Os objetivos finais, contudo, em quase nada se diferenciam.
É por isto (e porque conheço um pouco de história) que me arrepio todas as vezes em que ouço, como se fosse motivo de orgulho, que a atual Presidente é oriunda da luta pela democracia contra os militares. Ela e sua turma, na verdade, sempre quiseram trocar de regime autocrático, um de direita por outro de esquerda. Nem os militares nem esta turma (que hoje está no poder por força do voto)eram ou são democratas. Como sou do tipo que não acredita que os sujeitos um dia acordam democratas de verdade, tendo a crer que eles continuam a ser o que sempre foram ou em uma palavra: Perigosos.
Vivemos dias em que aqueles que crêem que a democracia é o melhor sistema político - com todas as suas falhas - têm que colocar as barbas de molho (não gosto muito de falar de barbas e barbudos porque me trazem lembranças ruins, mas fica a figura de linguagem).
Achei que seria necessário iniciar este blog com uma declaração das minhas crenças políticas. Assim fica quem partilha das minhas crenças e já pode levantar vôo quem está satisfeito com o que temos. O mote vai ser este.
Mas atenção: Não é um blog anti-PT. O PT não merece isto. Nem é um blog partidário (claro que tenho minhas preferências e elas serão colocadas). A intenção é trazer a discussão para o nível dos fatos e afastar das paixões. Aliás, paixão por partido é um outro grave sintoma de democracia em perigo. As verdadeiras democracias são partidárias mas nunca personalíssimas. É típico dos sistemas mistos (falso-democráticos) que uma pessoa seja eleita não para a Presidência da República (cargo com dia e hora para começar e acabar), mas para o Panteão da Glória. Não há como levar o plano dos petistas afrente, em outras palavras, sem um Lula... Mas isto é outro papo.
Ab OvO
Não gosto de quem falava errado, mas tampouco interpelo as pessoas. Apenas faço um olhar de soslaio e reprovação. Acho que falar errado é mais pecado que falta de educação. Gosto de palavrão, mais do que de palavrinha. Encho a boca para falar um e rio a morrer de ver a palavra fantasiada apenas para ofender. Mas considero isto como um momento de distração da palavra, um relaxamento do seu uso que nunca considerei necessário ser sério ou sisudo.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
AB OVO USQUE AD MALA
Decidir iniciar um blog já é, por si só, uma grande questão. Um blog com qual objetivo? Por que?
Bem, porque os amigos queridos dizem que eu tenho o que falar sobre política (especialmente) e sobre outras coisas de maneira em geral. Política é mesmo uma área de grande interesse para mim e vai ser o mote deste blog. Mas política é uma palavra larga, larga o suficiente para caber outras coisas, outros assuntos. Depois de resolver que iria começar um blog, veio outra questão. Um nome... e pensa daqui, reflete dali. Seria legal ser original. Mas a originalidade pós internet é quase um passe de mágica.
Aí me lembrei de uma expressão que meu pai costumava usar. Latim, claro, como todo bom Advogado da velha escola. AB OVO USQUE AD MALA. A tradução literal seria DO OVO A MAÇÃ. Mas isto requer uma explicação né? Bem, um banquete Romano iniciava com ovos, como entrada, e terminava com maçãs, como sobremesa. Donde a expressão representa falar sobre o todo. Não deixar nada de lado ou não menosprezar nenhum aspecto de uma determinada questão.
Mas eu começo do AB OVO mesmo, porque uma boa refeição se inicia pela entrada. Enquanto eu tiver vontade de escrever e tiver alguém que queira ler, vamos nos deliciando com os ovos e os pratos que compõem a ceia. Um dia posso chegar à AD MALA. Chego a sobremesa, como a maçã e parto, sem maiores compromissos.
Regras? Quase nenhuma. Vou dizer tudo o que penso porque sou o dono da bola. Comentários? Estou louco para recebe-los e assim iniciar um campo de debate de idéias. O que não vai ter? Ofensas, ou pelo menos aquilo que eu considerar como tal. Política desperta paixões. Não deveria, mas desperta. Política não é emoção: É o jogo da razão. Mas nós Brasileiros, como sempre, colocamos uma boa dose de paixão na nossa ótica política (eu incluído, mesmo que me esforce) e com isto podemos as vezes perder a linha. Palavrão pode. Idéias contrárias também. Sugestões sempre!!!
Sejam bem vindos todos aqueles que gostariam de ter um ambiente democrático de discussão de idéias profundas ou nem tanto sobre o que de mais importante nos cerca: A política, suas práticas e especialmente suas conseqüências para nossa vida.
Bem, porque os amigos queridos dizem que eu tenho o que falar sobre política (especialmente) e sobre outras coisas de maneira em geral. Política é mesmo uma área de grande interesse para mim e vai ser o mote deste blog. Mas política é uma palavra larga, larga o suficiente para caber outras coisas, outros assuntos. Depois de resolver que iria começar um blog, veio outra questão. Um nome... e pensa daqui, reflete dali. Seria legal ser original. Mas a originalidade pós internet é quase um passe de mágica.
Aí me lembrei de uma expressão que meu pai costumava usar. Latim, claro, como todo bom Advogado da velha escola. AB OVO USQUE AD MALA. A tradução literal seria DO OVO A MAÇÃ. Mas isto requer uma explicação né? Bem, um banquete Romano iniciava com ovos, como entrada, e terminava com maçãs, como sobremesa. Donde a expressão representa falar sobre o todo. Não deixar nada de lado ou não menosprezar nenhum aspecto de uma determinada questão.
Mas eu começo do AB OVO mesmo, porque uma boa refeição se inicia pela entrada. Enquanto eu tiver vontade de escrever e tiver alguém que queira ler, vamos nos deliciando com os ovos e os pratos que compõem a ceia. Um dia posso chegar à AD MALA. Chego a sobremesa, como a maçã e parto, sem maiores compromissos.
Regras? Quase nenhuma. Vou dizer tudo o que penso porque sou o dono da bola. Comentários? Estou louco para recebe-los e assim iniciar um campo de debate de idéias. O que não vai ter? Ofensas, ou pelo menos aquilo que eu considerar como tal. Política desperta paixões. Não deveria, mas desperta. Política não é emoção: É o jogo da
Sejam bem vindos todos aqueles que gostariam de ter um ambiente democrático de discussão de idéias profundas ou nem tanto sobre o que de mais importante nos cerca: A política, suas práticas e especialmente suas conseqüências para nossa vida.
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